“Pedaços de mim”

Tudo era muito eu, …no auge de minha insensatez

sem saber no que iria dar, entrei na sala tímido e devagar

era tudo novo, tudo no inicio me fazia afastar

e pouco a pouco fui errando, as vezes muito, como era de se esperar.

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Efemérides nos anos dois mil não nos deixavam piscar

um choro, a distância, a ausência do lar

nem saberíamos o que juntos iríamos suportar

eu e você, nós e eles, e tudo mais que tínhamos que estudar.

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E sem notar fui respirando aquele ar conjunto de nossa amizade

respirando os tumultos, os problemas e as dificuldades

sem pestanejar briguei, esbravejei, discordei… chorei

sem perceber me tornei muitos,… acordei.

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Acorda-se as vezes tão devagar, que fui embora sem te abraçar

meus cachorros, meus jardins, minhas escolhas me afastaram

nossa vida não espera, as vezes o reencontro é uma quimera

mas lembro-me de nossos sonhos, nosso desejo de amar.

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Agora cada um respira seu empenho e seus metais

a vida é rápida, alegria e dor são cotidianas e reais

uns subiram muito, outros desceram ainda mais

uns acham que tem pouco, outros que tem demais.

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Dizem que os sentimentos são únicos

que somos universos insólitos nesse espaço-tempo

que somos indivíduos e individuais

que somos pequenos e banais.

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Talvez placas de bronze serão construídas e idéias fixadas

e por vários milênios serão fortes jargões e sempre amadas

talvez soem as trombetas para filosofias de um homem só

por várias gerações não serão esquecidas nem virarão pó.

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Sim, somos únicos e diferentes, e é isso que podemos ser

e sim amigo, realmente tudo que eu disse é muito clichê

mas pode ter certeza que muito da minha individualidade

foi construída com sua amizade, um pedaço de você.

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Só quero hoje relembrar nossas ideologias e nossos tombos na ladeira

hoje é dia sermos de novo um só e muitos, minha amiga e companheira

…amigo, nosso reencontro é agora, rindo ou chorando de verdade

vamos aproveitar os instantes de felicidade, na altitude intensa dessa cidade!

Pedaços de mim foto

 

Escrito em setembro de 2017 para querida Soraia Bento – Homenagem à Festa de 10 anos da turma Direito – graduada em 2007 na Universidade Federal de Ouro Preto, na cidade de Ouro Preto (MG).

….filosofando sobre minha relação com a Universidade Federal de Ouro Preto, minha República Baviera, e com a minha Turma de Engenharia de Produção, graduada em 2002.

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Sobre Traíras e Traição II

Num processo de ação e reação,

vou escrever a segunda e última ladainha “Sobre Traíras e Traição”,

expelindo o rancor pra trás,

impulsionando pra frente minha redenção…

Uma carinha de anjo, um caráter de piada

segue ela enrolada na toada de sua ambição

sem personalidade e com frases mal acabadas

vai ela enroscada na mentira e na ilusão.

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Cascavel d’água com um chifre pontiagudo dourado

materialista infame que ama a matéria inanimada

se faz de morta para pegar presas no atacado

depois joga a carcaça da ponte, no fim de seu plano macabro.

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Passeia pelas lojas sorrindo como se fosse ao altar

só solta a carrapeta em Paris, debaixo do Arco do Triunfo

quem pretende ver amor, precisa ralar

quem pretende dar amor, precisa dar o mundo.

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A primeira vista é um feixe de luz reluzindo

cheia de curvas onde muitos direto passarão

alguns construirão castelos sorrindo

outros irão cegamente gastar até seu último tostão.

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E nada vai ficar no ar

nada vai sobrar

não há remédio, nem lugar

quando ela te picar.

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Você vai sair lesado

jogado às traças, despedaçado

cheio de veneno pra retirar

com fundos buracos a fechar.

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Mas…

ela vai nos meandros, em espiral

ela vai tranqüila, em família

com a consciência normal

vai em ziguezagues, não deixa marcas no chão

não a queixas, não há deixas

não espaço, não há perdão

vai sem culpa, sem desculpa

com a desenvoltura que tortura

peixe cobra, se desdobra

se recobra em seu carrão

sai ilesa, sai princesa

em sua cobertura onde meu sangue jorrou

vai traíra, vai com Deus

em sua epopeia de horror.

O plágio é um crime em que lhe usurpam as palavras, tomam posse de seus pensamentos e, dependendo da utilização desses bens, pessoas menos favorecidas podem ser beneficiadas… isso me lembra um personagem que atuava nas florestas cerebrais….Robin Mind??

Citar

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“Ecos da Corrupção”

Soterrado numa lama que perpassa a Vale, no vale de Mariana, estamos todos
afundados de baixo de uma base de concreto feita de dinheiro sujo, e inacabada
presos num presente, num cavalo de graveto, mancando em lentidão sob terras vulcânicas
conduzidos por dementes sádicos e mentirosos, saídos dos círculos de Dante.
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Estamos vivendo ciclos angustiantes, a mercê dos prazeres e desmedidas Planaltinas
zumbizando e fitando telas e telas de ludibriantes histórias e estórias que não nos pertencem
de cabeça baixa, de estima baixa, diante das alturas aurículas dessa mídia de arestas afiadas
direcionados por corporações descompromissadas e empresários narcisistas.
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Mas balbucia ferozmente pelas asas do avião central…
um Monstro de concreto, carne e papelão
corre petróleo salgado em suas veias e gás em seus pulmões
com seus olhos eletrônicos e pensamentos devassos
cheira a milhas os milhões, sempre faminto por tostões
vai devastando como um trem descarrilado eletrizado
vai atrás de seus criadores com cerebrais decisões.
O sistema não o vai segurar, o sistema não vai ter como julgar
ele está em profunda depressão esquizofrênica
não há dinheiro que possa o fazer parar
ele foi deixado esquecido na fila de uma fila qualquer
agora quer cabeças, quer justiça, quer vingar.
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Esta chegando…
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Brados retumbantes ressonam no seco ar do centro tropical
o Monstro voando vem, vem mostrar os sinais da criação do mal
vem vindo libidinoso e impassivo em direção ao seu habitat original
destruidor vem faminto…pra se satisfazer das iguarias da delação
vem sugar Vampiros, comer Lulas, e todos donos incontestes da razão
as pistas são gritos longínquos de dor de barriga dos heróis da opressão
um cheiro horrível de carne política podre lhe dá a direção
ele segue os ecos…, os ecos da corrupção!
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Mas ainda estou vendo…
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Velhacos gordos fechados em suas mansões cheirosas
com peças de diamante e ouro nos tornozelos inchados
vendendo livros e sugestões para novas dinastias políticas
bebendo espumantes deitados no chão de mármore de seus banheiros.

A Curva do Vento

Descendo ou subindo dá arrepios

engana os desavisados em viagens esporádicas

pelas suas sinuosas e curtas curvas

vertigem é mato nessa hora

linda e curvilínea desgastada pelo tempo

dama da noite jogada ao relento

minha vertigem é demasiada

quando olho essa estrada malvada

ela é do vento, dos suicidas e dos amantes

ela é dos loucos e dos lobos uivantes

complicada demais para os físicos

jocosa demais para corretos

densa demais para os ingênuos

estressante na primeira vez

confortante ao ver o fim

ludibriante para o fugaz herói

mostra suas cruzes para o coração que dói

ela é única para o apressado

ela é para o fotografo um beijo desejado

ela é menina velha, um tormento

ela meu caminho diário, mas as vezes meu desalento

ela é a Curva do Vento!

curva do vento

Muito pelo contrário…

Toda conversa esfarrapada,
toda mentira confirmada,
os brados louco do bêbado,
e os gritos surdos do pirata.
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O grande mágico das palavras,
o empresário prostrado na piscina,
o colecionador de álcool,
e aquele que tira fotos de meninas.
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O zero a esquerda que é modelo,
o político esquecido de direita,
o sumido que é gênio,
e o professor que fica na espreita.
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Todos gritos na noite solitária,
todo louco escondido na nudez,
toda mentira que estraga o dia inteiro,
toda conversa cheia de clichês.
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Só na açnerefid que a semente cresce,
Só na aitapme que a amizade floresce,
Quando tudo está ao oiràrtnoc,
só o verdadeiro amor prevalece.

Tendência natural

 

Um momento será representado pelo devaneio do tempo

Nossas peças chaves em uma adaptação heróica, agarraram-se ao próximo degrau

Se achas que nenhuma crença destrói

Não te deparastes com o profundo sentimento animal.

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O sol nascente na alma do vermelho oriente

Converteu sangue quente em bomba numa crença

Construindo currais, erguendo muralhas

Sofisticada ignorância transcendental

Levando em conta que o vírus quer seu espaço

Quem estará certo no julgamento final?

Prosa de 1998.